Hoje (25), o técnico Sylvinho foi apresentado no Corinthians. O novo comandante recebeu a camisa 6 (seu número quando jogador do Timão) das mãos do presidente Duilio Monteiro Alves e externou algumas de suas ideias para a atual equipe do Alvinegro. O treinador foi enfático ao afirmar que não abrirá mão do espírito combativo e também deixou claro que jogará com uma linha de quatro defensores.

“Variação de sistema tático existe e é bom, mas parto de um princípio de linha de quatro jogadores. Trabalho muito bem essa variação, conheço o sistema, domino as funções. Invariavelmente, poderemos trocar. Os atletas que já me conhecem já sabem, faz parte do Corinthians a linha de quatro”, afirmou o treinador em uma de suas primeiras respostas na coletiva de imprensa.

Auxiliar técnico de Mano Menezes e Tite no CT Joaquim Grava, Sylvinho também passou pela Internazionale de Milão e pela Seleção Brasileira em sua antiga função. No entanto, como treinador, o novo comandante do Corinthians apenas trabalhou no Lyon e foi demitido com apenas 11 partidas na direção da equipe francesa. Questionado sobre seu currículo, o ex-jogador se disse pronto para assumir o desafio.

“O presidente e a diretoria me ligaram. Duvido que eles não acreditaram que eu estava pronto. Estou pronto para o Corinthians”, cravou.

O ex-lateral-esquerdo da equipe do Parque São Jorge guarda na memória momentos de conquistas com a camisa do Corinthians. Agora no comando técnico do Alvinegro, Sylvinho citou duas equipes que fez parte para externar seu pensamento sobre o atual elenco. Mais uma vez, deixando claro que pretende uma equipe que priorize a competitividade do que a técnica.

“Com relação a títulos, a gente sempre aprende com as coisas. Em 98, título Brasileiro, era um time muito forte tecnicamente e taticamente e merecemos o título. Mas o de 95 me remete a situações que são a cara do clube. Reconhecer, naquele momento, a superioridade do Grêmio, do Palmeiras no Paulista, com atletas mais fortes tecnicamente. Mas éramos um time muito bem liderado, entendíamos o que queríamos e isso nos ajudou demais. Conseguimos esses títulos e ficou na memória, levo com muito carinho”, concluiu.

Hoje pela tarde, Sylvinho comanda o primeiro treino com o elenco no CT Joaquim Grava. A estreia no banco de reservas, no entanto, acontece apenas no próximo domingo (30), quando o Timão recebe o Atlético-GO, na Neo Química Arena, pela 1ª rodada do Campeonato Brasileiro.

Confira outros trechos da coletiva de Sylvinho:

Sobre decisão de acertar com o Corinthians

“Eu não precisei consultar ninguém, vim porque é hora, porque é tempo, porque assim entendi, estava esperando. É um clube que eu conheço faz muitos anos, e é uma alegria, uma satisfação estar aqui nessa casa”.Sobre sistema de jogo adotado “Variação de sistema tático existe e é bom, mas parto de um princípio de linha de quatro jogadores. Trabalho muito bem essa variação, conheço o sistema, domino as funções. Invariavelmente, poderemos trocar. Os atletas que já me conhecem já sabem, faz parte do Corinthians a linha de quatro”.

Sobre reforços

“Sobre reforços: o cenário é positivo. A conversa foi rápida, entendemos o momento do clube e sabemos que é um ano em que dificilmente vai haver contratação, salvo pontualmente, mas isso está nas mãos dos diretores. Reconhecemos o grupo e entendemos que é um grupo bom, e vamos trabalhar esse grupo”.

O Corinthians vai priorizar alguma competição?

“Não vamos priorizar nada. A prioridade é sempre o próximo jogo. O tempo é escasso. A interação e a globalização do futebol ficaram bonitas: um ou dois dias antes do jogo é hora de tirar o pé, guardar energia. Dois dias depois, recuperar. Aprendi com grandes treinadores, assim eu vi”.

Sobre o espaço curto entre um jogo e outro

“As imagens falam mais que palavras e muitas vezes já temos esse trabalho, otimizando tempo para poder aperfeiçoar o que queremos do atleta. Não à toa, falamos aqui: dentro de um grupo, passar uma imagem de alguns minutos é treino. O atleta deve entender que é treino e que isso deve ser levado para dentro do campo. Temos que encontrar formas de otimizar o tempo e as imagens nos ajudam muito”

Sobre perfil do clube

“Garra e raça são marcas desse clube. Não será difícil introduzir essas duas coisas no time”.

Sobre reforços

“O clube já tem muito claro, assim como eu, que não teremos muitas vindas de reforços. Vejo um cenário de atletas com boas condições. Tudo pode ser potencializado e melhorado, e estamos aqui para isso. Estamos vivendo uma nova etapa, o Corinthians está acostumado com títulos, finais e a ganhar. A etapa é nova, é de construir, de paciência, de ter jovens e experientes, de juntar forças. Com raça e dedição, que é o mínimo que podemos dar para o nosso torcedor”.

O Corinthians terá um perfil ofensivo ou defensivo?

“O sistema tático não define se um time é ofensivo ou defensivo. O que define são as peças, as características dos atletas. Fui criado numa linha de quatro, treinei muito, domino o sistema. São sete ou oito anos como auxiliar. Evidentemente que dominamos, também, as outras variações. É importante entendermos, inclusive como comissão técnica, o que potencializa o time e os jogadores”.

Sobre decisão de aceitar o desafio e histórico de carreira

“Foram três minutos de uma boa conversa com o Duílio. Trago não somente do Lyon, mas também uma outra construção enorme na minha vida, de Copa do Mundo, de Inter de Milão, de Seleção Brasileira em outras funções, e nessa casa aqui”.

Ainda sobre sistema tático

“Não gosto de variação de sistema, nao trabalho muito com isso. O atleta treinado tem distâncias, percepções dos treinamentos. Com rotina, qualidade e tempo de trabalho, ele leva isso para o campo. Eu gosto da linha de quatro, mas não está fora de cogitação trabalhar com linha de três”.

Sobre perfil mais ‘pilhado’ no banco de reservas

“Sinceramente, eu não gostaria de ser pilhado, tem hora que me incomoda, mas eu sou. Pra mim, no futebol é importante não perder tempo, nós não temos tempo pra perder. O futebol exige um nível de concentração alto, ele te exige entrega, ele te exige nível de concentração, você tem que estar atento a tudo, absorvendo tudo”.

Sobre negativa ao Corinthians no passado

“O problema financeiro do Corinthians não era uma barreria para mim. Somos resultados das nossas decisões. Sempre tomei as minhas com calma, pensando muito. Com relação ao Corinthians, era questão de tempo. Tinha outras situações surgindo, tem muitas variáveis. O Corinthians é onde estou contente, onde nasci, onde cresci, sou fruto do terrão”.

Sobre relação com o elenco

“Gosto de estudar, gosto de coisas modernas. Mas o futebol não é só isso, tem componentes sérios, de gestão, respeito, comprometimento, depois entra a modernidade. Participei de ótimas comissões e sou feliz com meu conteúdo”.

Sobre relação com os jovens da base

“Eu trabalho para todos os atletas. Nós da comissão, da direção, presidente, todos da hierarquia, todos nós trabalhamos pra recuperar os atletas. Nós para eles e tantos os jovens também. Quanto aos jovens é importante acelerar algumas etapas, nós entendemos a demanda do futebol, muito bom trabalhar com o jovem, mas nós temos que colocar pouco a pouco”.

Sobre implementação do trabalho

“Nosso time é um time que luta, que compete, que disputa e entra. O futebol é um esporte maravilhoso, dos mais complexos. O grau de dificuldade de assimilação de conceitos não é simples. Muitas vezes os treinadores batem na tecla do tempo, metodologia. Sabemos que o tempo corre e não podemos parar”.

O que esperar do Corinthians?

“O nosso time do Corinthians – ele é nosso, não meu – entra, organiza e sabe fazer. Vai lutar, vai jogar, vai disputar. É isso que queremos e exigimos do nosso time. É a característica que não pode faltar”.

Sobre expectativas no clube

“Sinceramente: eu só vejo bônus. Tenho uma construção de carreira, expectativa muito alta com o trabalho, com o cenário que encontro aqui. Não penso em ônus. O Corinthians é impressionante, é uma casa que projeta demais, vende demais, excepcional, mexe demais, é maravilhoso. Trago na memória uma situação do Corinthians: chegar no Pacaembu duas horas antes do jogo e ele já estar lotado, eu com 20 anos? Imagine. A partir daí as coisas ficam mais fáceis. Estamos acostumados. A casa é assim, a casa é boa”.

Chegou a conversar com Vagner Mancini?

“Não conversei por telefone com o Vagner [Mancini], só por mensagem. Ele é uma pessoa honrada no futebol, de uma índole incrível, brilhante, um grande treinador, e tem sua contribuição na casa”.

Sobre experiência em outros clubes

“Talvez a minha construção de carreira de atleta também foi assim, por isso talvez eu tenha passado por poucos clubes, gostei de me identificar com os clubes que eu passei, tenho as portas abertas em todos eles, e é uma característica que eu tenho, pilhado sim, mas eu reconheço as etapas que eu vivo e as vivo bem”.

Sobre a ausência das torcidas nos estádios

“Infelizmente vivemos um momento complicado, descaracterizou a vida humana, é pesado e difícil. Dentro dos estádios também, não temos torcedores. Na Europa, os campeonatos começaram a parar, havia dúvidas de treinadores sobre o futebol sem público. Claro, em um clube de massa como o Corinthians não é fácil. Futebol sem calor é difícil, mas se acostuma, e a gente espera que esse tempo passe rápido para que volte ao normal”.