Pouco mais de uma hora depois do fim do péssimo Bahia 0 x 0 Corinthians, a diretoria do time alvinegro divulgou nota oficial dizendo que multaria o atacante Jô pelas chuteiras utilizadas na partida —que eram azuis, mas pela televisão pareciam verdes, cor do arquirrival Palmeiras. A suposta punição, porém, não passa de balela.

O clube jogou para a torcida, um dia depois de sofrer protestos por parte de torcedores organizados no Parque São Jorge. Viu uma cortina de fumaça com a polêmica gerada nas redes sociais pela cor do calçado de Jô e a usou. Sequer se deu ao trabalho de ver se existia embasamento jurídico para tal. Até porque não tem.

O clube não pode simplesmente multar quem quer que seja por motivos estúpidos como a tonalidade dos calçados. Não tem cabimento nenhum cogitar cortar uma fatia do salário de um trabalhador por utilizar vestimentas consideradas inadequadas pelo empregador. Isso é assédio moral e processo ganho em qualquer tribunal democrático do mundo.

O pior é que Jô já havia treinado com a chuteira supostamente verde na atividade de sexta, no CT Joaquim Grava.

Segundo advogados esportivos ouvidos pela coluna, e que já trabalharam em muitas ações envolvendo o Corinthians e contratos de salários ou direitos de imagem de atletas e ex-atletas do clube, tal veto à cor verde jamais foi exigido a jogador algum. Pelo contrário, os documentos deixam claro que chuteiras, caneleiras e luvas são de uso pessoal.